Um gênio traquina e pilantra me ronda desde criança,
A cada andança me torno mais crápula e sem escrúpulos.
Clamo auspícios a tudo o que é subreptício e infame,
Para dar forma e cor à indignidade que me transborda.
Da política mais baixa sorvo os objetivos abjetos,
Do comércio inútil e supérfluo, sugo a eterna usura,
Tal a mediocridade sem arte, irei a toda parte,
Semeando o frívolo, o chulo, o ordinário e o vulgar.
Mais indecente do que um deus crucificado nu,
Mais pleno do que a morte de tudo o que se ama,
Conspiro doravante em versos, no subsolo da moral.
Moro a partir de hoje sobre o abismo do obsceno.
Nessa manhã canibalesca de novembro em fogo cinza,
Faço da justiça morta meu estandarte, meu troféu ensanguentado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário